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Geira

Geira e Via XVIII do Itinerário de Antonino

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Via Nova, também referida como Geira e Via XVIII do Itinerário de Antonino, é uma estrada romana que ligava duas importantes cidades do noroeste da península Ibérica: "Bracara Augusta", actual cidade de Braga, em Portugal e "Asturica Augusta", actual Astorga, em Espanha, num percurso de CCXV milhas (aproximadamente 318 quilómetros).

Historia

A via foi inaugurada provavelmente no final do século I, por volta do ano 80, sob a égide dos imperadores TitoDomiciano. Acredita-se que a motivação da sua construção foi a de reforçar a rede viária romana na região. Ela conferiu maior mobilidade aos exércitos, permitiu um reordenamento do território e possibilitou uma maior atividade mineira e transação de bens, sobretudo a circulação do ouro das minas de Las Médulas.

Características

A Via Nova tem um traçado em diagonal que liga o triângulo político-administrativo e viário estabelecido por Augusto, com vértices nas três cidades: "Bracara Augusta", "Lucus Augusti" e "Asturica Augusta".

A Geira iniciava-se em "Bracara Augusta", passando pela zona do atual Areal, seguindo por Adaúfe, entrava no concelho de Amares com a travessia do rio Cávado em Barca de Âncede, e seguia pelas localidade de Caires e Paredes Secas. Ao chegar ao lugar de Santa Cruz, entrava no concelho de Terras de Bouro. Neste concelho encontra-se muito bem conservada ao nível do seu traçado e dos seus vestígios arqueológicos. Nas Terras de Bouro percorre as freguesias de SoutoBalançaChorenseVilarChamoimCovideCampo do Gerês e chega, por fim, à Portela do Homem, seguindo depois em território espanhol.

O projeto de classificação

Em Terras de Bouro, os vestígios arqueológicos são abundantes: existem mais de 150 miliários, que assinalavam as milhas na via e davam a conhecer, ao viajante, a distância até à cidade mais próxima. Além dos miliários é possível vislumbrar vestígios das pontes romanas (sobre o Ribeiro da Maceira, Ribeira do Forno, Ribeiro de Monção e a Ponte de S. Miguel, sobre o Rio Homem), calçadas com marcas de rodados, pedreiras de onde foram extraídos miliários e blocos de pedra para construir as pontes. Começam, também, a ser descobertos vestígios arqueológicos de pequenos povoados indígenas ou de apoio à construção da Via, que atestam a importância desta.

O nome original da Via Nova (que pode ser lido em vários miliários que conservam esta inscrição) advém de já haver uma outra via que seguia também de "Bracara Augusta" para "Asturica Augusta". Contudo o seu traçado era bastante diferente, seguindo por "Aquae Flaviae" (atual Chaves). Esta via, com mais milhas do que a Geira, foi catalogada como Via XVII no Itinerário de Antonino.

Por esta via estar muito bem preservada, a Câmara Municipal de Terras de Bouro está a desenvolver, conjuntamente com dez outros parceiros, onde se incluem municípios, universidades e regiões de turismo, um projecto de recuperação e valorização da Via Nova. Espera-se instruir, após as acções de recuperação, o processo de candidatura a Património Mundial da Humanidade. Este conjunto arqueológico está inserido numa das mais belas paisagens europeias (zona classificada do Parque Nacional da Peneda Gerês).

Fonte: Wikipedia

Marcos miliários

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Os miliários (do latimmiliarium, a partir de milia passuum, "mil passos") eram os marcos colocados ao longo das estradas do Império Romano, em intervalos de cerca de 1480 metros. Estas colunas de base rectangular eram de altura variável, com as maiores a atingir cerca de 20 polegadas de diâmetro, pesando cerca de 2 toneladas. Na base estava inscrito o número da milha relativo à estrada em questão. Num painel ao nível do olhar constava a distância até ao Fórum Romano, bem como outras informações, como os responsáveis pela construção e manutenção da estrada. Actualmente, são os miliários que permitem aos arqueólogos e historiadores estimar os trajectos das antigas estradas romanas, pelo que se tornavam valiosos documentos. As suas inscrições foram compiladas no volume XVII do Corpus Inscriptionum Latinarum.

Depoimento

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"Subida à Calcedónia, uma das coroas de gloria cá da terra. A tarde estava como um veludo, e as fragas, amolecidas pela luz, pareciam broas de pão a arrefecer. Do alto, a paisagem à volta era dum aconchego de berço. Muros sucessivos de cristas - círculos concêntricos de esterilidade - envolviam e preservavam a solidão. Nas vezeiras, resignadas, as rezes esmoíam os tojos como quem ajeita um cilício ao corpo. E mais uma vez me inundou a emoção de ter nascido nesta pequena pátria pedregosa que é Portugal. Há nessa condenação como que uma graça dos deuses. Também é preciso ser de eleição para merecer certas pobrezas..."
Miguel Torga In "Diário VI"

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"O Gerês sempre simbolizou a harmonia entre o Homem e a natureza, numa partilha permanente de actividades e sentimentos, das gentes aliada à Natureza das inóspitas montanhas de granito moldadas pelo tempo. As águas correm cristalinas pelos ribeiros e o ar puro envolve a grande diversidade da fauna e da flora proporcionando um movimento contínuo de calma e prazer."
Geres.pt

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